Autor: Laurent Binet
Nº
de páginas: 344
Editora: Companhia das Letras
Série/Saga: -
Nota:
4/5
“...os que morreram estão mortos e não lhes faz diferença serem homenageados. É para nós, os vivos, que isso significa alguma coisa. A memória não tem utilidade nenhuma aos que ela honra, mas serve quem a busca. Com ela me construo, e com ela me consolo.”
A
2º Guerra Mundial é um dos acontecimentos histórias mais fascinantes da
história da humanidade. A literatura, então, tem se ocupado de forma bastante
insistente na tradução desse período – tanto a ficção quanto a não ficção. Os
relatos se reproduzem aos montes. Com isso, embora seja realmente difícil
esgotar o tema, nada impede que ele se torne, de algum modo repetitivo. A
literatura tem que assim por a criatividade em marcha e tentar atrair o leitor
para um mesmo assunto, todavia com uma abordagem menos convencional. Creio que
certamente é este o intuito de HHhH. Devo dizer, Binet foi bem sucedido.
“Heydrich é o protótipo do nazista perfeito: alto cruel, totalmente obediente e de uma eficiência mortal.”
HHhH
é a acrônimo alemão para o cérebro de Himmler se chama Heydrich. Nessa história
conhecemos o desenrolar da Operação Antropóide, que se destinava a executar um
dos maiores representantes do horror nazista: Reinhard Heydrich, também
conhecido como o açougueiro de Praga, ou o homem mais perigoso do Reich.
Para
chegar a esse ponto Binet primeiro nos insere nas teias de Heydrich. É preciso
conhecer o alvo. Perceber sua evolução, a forma como ele galga os degraus
dentro do regime, ocupando a função de chefe da Gestado e segundo homem no
comando da temida SS, até alcançar a posição de protetor da Boêmia-Morávia.
É
também preciso conhecer a história da resistência e perceber como dois homens
resolvem colocar a sua vida a disposição de seu país, para infringir um
possível golpe ao regime nazista e mostrar que a resistência tcheca ainda
vive. Assim conhecemos Jan Kubiš e Jozef
Gabcík, os responsáveis imediatos pela Operação Antropóide.
Poderia
ser mais uma trama acerca de uma das infindáveis operações executadas durante o
conflito. É claro que o é. Mas não somente. Nesse ponto Binet mostra sua
qualidade enquanto escritor, apresentando sua história de uma forma diferente,
curiosa e inteligente. O autor não se restringe a tarefa de descrever os fatos,
Binet intervém nos acontecimentos e aí acontece um processo de fusão no qual a
realidade e a inventividade são tenuamente discerníveis. Não apenas na
(re)criação de cenas, Binet também se faz presente na narrativa. O leitor é
apresentado às perspectivas do autor, suas dúvidas, seu fascínio pelos acontecimentos
e por seus personagens reais.
Essa
qualidade criativa se junta também ao relato histórico. Ainda que o autor faça
suas intervenções históricas, nada compromete a apresentação do cenário
sufocante que é a guerra e os diferentes círculos que nela se formam. O foco
dado à figura de Heydrich não restringe o cenário do autor. Percebemos não
apenas a presença dessa figura central no regime, também somos levados ao
interior dos quadros nazistas, a seus monstros ilustres (Himmler, Göring,
Eichman, Hitler e companhia limitada). Binet, então, faz cotejar ainda os
acontecimentos históricos que têm lugar em sua narrativa. A solução final, os
horrores e erros cometidos pelo regime.
Com
isso, Laurent Binet constrói uma história com um ritmo atraente, seus personagens
(não seus na verdade, mas é como se fossem) acabam por atrair o interesse do
leitor. O desenrolar dos acontecimentos aproxima o leitor dos atores envolvidos
e até o desfecho final, embora, talvez, já o saibamos, Binet consegue entreter.
Admirável, sem mais.
“A história é a única verdadeira fatalidade: pode-se relê-la em todos os sentidos, mas não se pode reescrevê-la.”
Evellyn · 723 semanas atrás
E tb tem um filme que quero ver ^^
bjs
Juan Warley 71p · 723 semanas atrás
Kate · 723 semanas atrás
http://conversandocomdragoes.blogspot.com/
Lara · 723 semanas atrás
Juan Warley 71p · 723 semanas atrás
vanessa · 723 semanas atrás
Poxa que bacana suas novas aquisições, gostei. Sou louca pra ler esses livros da série Amanhã, parecem ser bons. Boa leitura e vou aguardar as resenhas (:
Beijos, Vanessa.
This Adorable Thing
Regiane 55p · 722 semanas atrás
Beijinhos
Rê
Ler e Almejar