Autor: Ayn Rand
Nº de páginas: Vol.1
- 432 e vol.2 - 360
Editora: Arqueiro
Série/Saga: A
Nascente - Vol. 1 e 2
Nota: 5/5
“Em nome de que direito concebível alguém pode exigir que um ser humano exista para qualquer coisa que não seja a sua própria alegria?” p. 189 vol.2
Entre
os diversos tipos de romance existentes a díade personagem-cenário pode assumir,
genericamente, dois formatos: o primeiro diz respeito às situações em que o
personagem é um meio para se apresentar um cenário maior; o segundo caso é
aquele em que o cenário é meramente uma forma de ressaltar o personagem. (Claro,
deve existir uma terceira via, a do equilíbrio). Em se tratando de A Nascente o
cenário é apenas uma forma para se apresentar o modelo de “homem ideal”.
Corporificado em Howard Roark.
Howard
Roark é um desajustado. Expulso da faculdade de arquitetura, deslocado
socialmente, solitário e individualista. Um homem determinado a negar os padrões
de uma sociedade com a qual não se identifica. Esse é o herói de Ayn Rand, A
Nascente é um romance que cria as condições para que tal figura possa emergir.
Desde a juventude Roark se recusou a assumir normas sociais. Após abandonar a
faculdade de arquitetura, decidiu seguir seus próprios padrões arquitetônicos.
Se recusando a aceitar o estilo histórico, e trabalhando tão-somente no estilo
modernista, o qual ele acredita e respeita seus padrões racionais. Mas a
integridade e os preceitos de Roark são colocados em cheque. A sociedade está
demasiadamente calcada em tradicionalismo, conservadorismo e parasitismo para
adotar seu modelo arquitetônico, ou assumir uma postura criativa. Apesar disso,
mesmo diante da possibilidade do desemprego, Roark é inexorável em seu
posicionamento. Se predispondo a realizar trabalhos manuais a ter de
ceder sua posição. Assim um cenário de dificuldade e desafios se põe no caminho
de Howard Roark.
Entretanto,
Roark não domina toda a cena. Apesar de sua centralidade uma alegoria de outros
personagens se faz presente. Especialmente, os elementos que terão de por a
prova a tenacidade do herói e os representantes ilustres da “feiúra do mundo”. Uma jovem mulher que se recusa a ter qualquer relacionamento profundo; um magnata poderoso que é uma incógnita; um jornalista ambicioso, e um arquiteto que representa a debilidade humana. Desse elenco vale a pena ressaltar a figura de Peter Keating. Keating é o inverso de Roark. Um jovem arquiteto com uma carreira aparentemente promissora. Mas um homem que vive em condições de subordinação; sequioso de agradar os outros, vivendo pela aprovação alheia, e um profissional que não sabe o que é amar o seu ofício. Um exemplar de parasitismo humano.
O papel coadjuvante do enredo não diminui sua relevância. O
quadro criado por Ayn é capaz de comportar as condições para seu “homem
modelo”. A arquitetura é a expressão de arte adotada. E é sobre os seus
fundamentos que será travada a batalha acerca da verdadeira capacidade humana.
É
importante notar, apesar de ficcional A Nascente é um romance filosófico que
coaduna parte importante do pensamento de Ayn Rand. Sua perspectiva acerca do
homem assume aqui status de grandeza. Ela traz a tona uma idéia antiga: a busca
egoística do interesse individual tende a promover o interesse comum. A
individualidade, a racionalidade, a autodeterminação, e o egoísmo - sem
quaisquer constrangimentos -, são elementos fundamentais na obra da autora. Rand
se levanta contra toda e qualquer forma de coletivismo. Entende a organização
coletiva como a forma de promoção de pessoas individualmente incapazes – também
personalizados no romance. E é com base nesses fundamentos que é erigida A
Nascente. Assim, não é por acaso que a autora causou e causa polêmica.
“- É interessante especular sobre as razões que tornam os homens tão ansiosos para se rebaixarem a si mesmos. Como naquela idéia de se sentir pequeno diante da natureza. Não é só uma idéia popular, é praticamente uma instituição. Você já notou como um homem se sente virtuoso quando fala sobre isso? Ele parece dizer: ‘Olhe eu estou tão satisfeito por ser um pigmeu, veja como sou virtuoso.’” [...]” p. 70 vol.2
É
possível notar elementos louváveis na obra de Rand. A crença inabalável dada
construção de um modelo humano de integridade irremovível, e mesmo, a veneração
que a autora tem pelo Homem. Para ela, o Homem é o único fim em si mesmo. E
talvez seja esse o ponto mais essencial de sua produção: a exaltação do gênero
Humano. Em relação aos demais elementos, creio que a autora assumiu uma
inocência notável – pra não dizer uma disposição idealista e utópica. Não creio
que seja concebível seu liberalismo radical, ainda que a liberdade seja
fundamental. O destaque na busca do interesse egoístico é outro aspecto a ser
questionado. O modelo heróico erigido não parece ser de todo possível.
Além
dos elementos filosóficos presentes na obra, há que se destacar a qualidade
romanesca do trabalho de Rand. Os personagens construídos pela autora são, em
essência, complexos. Temos figuras com objetivos claros, mas existem também os
indivíduos dúbios, com interesses questionáveis, romance e, acima de tudo, a
necessidade de satisfazer alguns questionamentos: Será que Howard Roak irá
perseverar até o fim? E caso consiga, qual será o seu futuro?
Um
dos maiores méritos de Ayn Rand é abordar um assunto extremamente delicado de
forma ficcionalizada mantendo a coerência do romance – com personagens
interessantes, um enredo digno e uma narrativa atraente - em consonância com a
integridade ideológica. Independentemente do alinhamento ideológico, A
Nascente é um livro que se faz necessário. Uma obra brilhante.
Evellyn · 723 semanas atrás
E tb tem um filme que quero ver ^^
bjs
Juan Warley 71p · 723 semanas atrás
Kate · 723 semanas atrás
http://conversandocomdragoes.blogspot.com/
Lara · 723 semanas atrás
Juan Warley 71p · 723 semanas atrás
vanessa · 723 semanas atrás
Poxa que bacana suas novas aquisições, gostei. Sou louca pra ler esses livros da série Amanhã, parecem ser bons. Boa leitura e vou aguardar as resenhas (:
Beijos, Vanessa.
This Adorable Thing
Regiane 55p · 722 semanas atrás
Beijinhos
Rê
Ler e Almejar