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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Goodreads Choice Awards 2013 – Best Books of 2013

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A rede social de leitores Goodreads lançou os candidatos à melhores livros do ano de 2013. São 20 categorias, em que 15 livros concorrem para a premiação de melhor obra.  O vencedor é escolhido com base na votação dos leitores integrantes do site.



Entre os livros que compõe as várias categorias, alguns já foram lançados no mercado nacional. É o caso de exemplares que concorrem na categoria Mistério e Suspense, que tem livros como: Inferno, do Dan Brown; O Chamado do Cuco, do Robert Galbraith (J. K. Rowling). Outros autores são conhecidos do público brasileiro como Harlan Coben e Lisa Gardner, que tiveram nomeados seus lançamentos de 2013 Six Years e Touch & Go, respectivamente.

Já na categoria Memória e Autobiografia aparece o livro Eu Sou Malala, de Malala Yousafzai e Christina Lamb, lançamento recente da Companhia das Letras. Está presente também A Casa do Céu, de Amanda Lindhout e Sara Corbett, lançamento de novembro da Novo Conceito.



Na categoria Fantasia está o livro Oceano no Fim do Mundo, do Neil Gaiman. Na de Terror NOS4A2, do Joe Hill, que será lançado em 2014 pela Arqueiro. Liberta-me, de Taheref Mafi, da Novo Conceito está classificado em ficção jovem adulto e ficção científica.  Além de outros exemplares que se encontram por aqui. 


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Novidade - O Inocente, do Harlan Coben

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A editora Arqueiro vai lançar O Inocente, do Harlan Coben. A previsão de lançamento é dia 5 de novembro. O livro já havia sido lançado no Brasil pela editora Arx, que publicou o livro em 2006.

“Harlan Coben faz em seus livros o que Alfred Hitchcock fazia em seus filmes.” - South Florida Sun-Sentinel 



Aos 20 anos, Matt Hunter vive uma noite de horror que ficará para sempre gravada em sua memória. Durante uma festa, ao tentar apartar uma briga, ele mata uma pessoa acidentalmente e é considerado culpado pelo júri. Agora, nove anos depois de ser libertado da prisão, tudo parece ter entrado nos eixos: Olivia, sua esposa, está grávida e os dois estão prestes a comprar uma casa na cidade natal dele. Mas a ilusão acaba quando Matt recebe um vídeo chocante e inexplicável que começa a despedaçar sua vida pela segunda vez. Para piorar, ele começa a ser seguido por um homem misterioso. Em pouco tempo, o perseguidor é encontrado morto e uma freira querida por todos também é assassinada. Quando as pistas apontam para Matt, ele e Olivia são forçados a desafiar a lei em uma tentativa desesperada de salvar seu futuro juntos. O inocente é um thriller vertiginoso, carregado de emoções. Além disso, é um relato contundente sobre as escolhas que às vezes somos obrigados a fazer e as dramáticas repercussões que teimam em não nos abandonar. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Mundo se Despedaça (Chinua Achebe)

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Autor: Chinua Achebe
Nº de páginas: 240
Editora: Companhia das Letras
Série/Saga: Trilogia Africana
Nota: 5/5

“Demonstrar afeição era sinal de fraqueza; a única coisa que valia a pena mostrar era a força.” P. 48
Chinua Achebe é um dos autores africanos mais importantes da contemporaneidade. É certamente o autor nigeriano de maior destaque. O mundo se despedaça (1958) é o primeiro livro do autor, e inaugura a Trilogia Africana, seguida por A flecha de deus (vencedor do Man Brooker Prize) e A paz dura pouco, ambos publicados pela Companhia das Letras. 

O que faz Achebe é contar a história do colonizado; como a chegada do homem branco impacta a sociedade já existente com seus costumes, leis e regras. Para tanto, o leitor é levado a Umuófia, terra do guerreiro Okonkwo.

Em Umuófia um homem se faz grande pelo que herda de seu pai, ou com o que constrói com seu próprio trabalho. Para Okonkwo tudo que ele alcançou foi fruto de seu esforço - não havia o que herdar da figura prostrada do pai. Assim, a  trajetória de Okonkuo é dura, ele partiu de um ponto baixo, mas com sede de galgar posições em seu clã ele fez tudo que estava a seu alcance. E logrou sucesso.

Ainda muito jovem ele se destaca como grande lutador, seguidamente constitui uma grande família, três mulheres, muitos filhos, e um compound (conjunto habitacional) grande, bem como uma produtiva plantação de inhame – significado de status em seu clã.

Dessa forma, Okonkuo torna-se grande entre os seus. Mas seu temperamento tempestuoso, a ira incontrolável, lhe acarreta problemas. Em Umuófia não importa o título, estão todos sujeitos as normas da tradição. E quando depois de um acesso de fúria Okonkuo desrespeita uma regra, começam seus problemas. Para agravar terminantemente sua situação, um acidente em que ele se envolve acaba por levá-lo ao exílio. Obrigando o jovem guerreiro há passar sete anos na aldeia de sua mãe.

O exílio de Okonkuo coincide com a chegada de um corpo estranho a sua sociedade, o homem branco. E quando finalmente retorna a sua terra, Umuófia já não é mais a mesma. O homem brando já colocara em exercício sua máquina de dominação, o mundo de Okonkuo se despedaça.

Esse é o panorama da obra de Achebe. O clímax ocorre quando da chega do homem brando, contudo, antes, é preciso conhecer a sociedade em que se assenta Okonkuo, para só então entender as rupturas que nela se processarão.

Umuófia, especialmente, e as demais aldeias vizinhas, seguem uma tradição antiguíssima. Ali parece que as coisas sempre foram como são, e assim devem continuar sendo. O apego à tradição, o politeísmo, a sociedade rigidamente patriarcal, oligarca, e, mesmo, estratificada. Na qual, a ascensão de um homem está intimamente ligada a sua capacidade de adquirir títulos, por meio de suas posses, e, por extensão, de seu trabalho. A competitividade é algo inerente.

Soma-se ao trabalho de resgate tradicional de Achebe, a inegável qualidade de sua prosa. Em que ele transfere os maneirismos dos discursos dos homens de Umuófia, expresso pelo apego a eloquência, aos discursos acalorados, a utilização dos provérbios. E como em toda boa história, é preciso um bom “herói”, e Okonkuo é a escolha do autor.

Okonkuo não é um homem mal, tampouco bom. Cresceu em meio a uma sociedade extremamente competitiva, que exalta demonstrações de virilidade, e, sobre a sombra de um pai que lhe envergonha. O medo do fracasso, de parecer com o pai, é um constante em sua vida. Assim, Okonkuo faz do medo a sua força. E torna-se também refém dela.

É sobre a visão deste homem, em grande parte, que vemos a desintegração da sociedade “primitiva”. A chegada do homem branco, com instituições, religiões e regras estranhas ao hospedeiro, está no cerne da desconstrução corrente. Executa-se um choque cultural.

O encontro entre colonizado e colonizador encerra o volume, e neste título inaugural Achebe mostra porque é tido em alto conceito entre os autores africanos. Seu trabalho é de excelência.

“Okonkwo governava sua família com mão pesada. Suas esposas, principalmente as mais jovens, temiam constantemente seu temperamento violento, assim como os filhos menores. Talvez, no fundo do coração, Okonkwo não fosse um homem cruel. Mas toda a sua vida era dominada pelo medo, o medo do fracasso e da fraqueza. Era um medo mais profundo e mais íntimo do que o medo do mal, dos deuses caprichosos ou da magia, do que o medo da floresta e das forças malignas da natureza, de garras e dentes vermelhos. O medo de Okonkwo era maior que todos esses medos. Não se manifestava externamente; jazia no centro de seu ser. Era o medo de si próprio, de que afinal descobrissem que ele se parecia com o pai.” p. 33

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novidade sobre novo livro de Joe Hill

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A editora Arqueiro anunciou ontem em sua conta do facebook que lançará o livro NOS4A2, último lançamento do Joe Hill – filho do Stephen King. A previsão é que o livro seja lançado por aqui ano que vem, ainda sem data definida. A Arqueiro já tem publicado do autor: A Estrada da Noite, Fantasmas do Século XX e O Pacto.

"Simplesmente o melhor escritor de horror de nossa geração [...]” - Michael Koryta 
"NOS4A2 é uma obra-prima do horror." – Levi Grossman, A revista Time 
"Fascinante e totalmente envolvente, este romance é a certeza de deixar os leitores querendo mais. Uma coisa é certa, porém. Depois de ler este livro, os leitores nunca vão ouvir canções de natal exatamente da mesma maneira." – Library Journal (Starred Review) em NOS4A2





quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Festa no Covil (Juan Pablo Villalobos)

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Autor: Juan Pablo Villalobos 
Nº de páginas: 96
Editora: Companhia das Letras
Série/Saga: -
Nota: 4/5










“A vantagem da beira da extinção é que ainda não é extinção.”

Quando comecei a ler Festa no covil achei que se tratava de narcoliteratura; um gênero pulp que tem ganhado cada vez mais espaço, especialmente entre os latino-americanos. Mas, ao fim, não é bem sobre isso que o livro trata, é preciso antes se debruçar sobre a figura de Tochtli.

Tochtli é uma criança, que não sabemos exatamente a idade, que vive em um palácio em algum recôndito mexicano. Seu pai é um chefão do narcotráfico. E assim, somos embalados durante a leitura pela perspectiva infantil desse panorama nefasto.

Sórdido, nefasto, pulcro, patético e fulminante. Essas são palavras centrais para Tochtli, ele as descobriu e usa em diferentes contextos. Assim, a figura infantil começa a nos descrever sua vida. Para começar, algumas pessoas o consideram um menino precoce, se bem que essa é a opinião de apenas uma parcela de todas as pessoas que ele conhece. São somente 15 pessoas. O mundo de Tochtli se resume a isso, 15 pessoas, e nenhuma delas é uma criança ou mesmo sua mãe, são somente adultos.

Nesse quadro, Tochtli acaba desenvolvendo uma forma particular para seu pequeno mundo. Para tanto, ele pode contar com a ajuda de seu tutor Mazatzin; um escritor fracassado. Ele tem gostos peculiares como uma coleção de leões, onças, pássaros exóticos e outros animais. Aliás, para que gatos, cachorros entre outros animais domésticos quando se pode ter feras. Simples assim.

Em meio a tudo isso o garoto nutre uma afeição especial pelos franceses. Afinal, os franceses inventaram a guilhotina, que é uma forma muito cômoda, na verdade, delicada de matar. Porque no México as cabeças são cortadas com facões, e é preciso um esforço considerável, cerca de quatro golpes, para separar a cabeça do corpo, nos confidencia o garoto. Ele tem também uma suntuosa coleção de chapéus, de diferentes lugares do mundo. Mas sua mais recente fixação é adquirir um hipopótamo anão da Libéria.

Apesar de tudo, ser uma criança em um mundo de adultos, um mundo sórdido, o pequeno se permite sonhar. Nesse cenário fechado, em que tudo parece girar em torno de seus desejos infantis, Tochtli tenta amenizar sua solidão.
“O cabelo é que nem um cadáver que você carrega na cabeça quando está vivo. Além do mais é um cadáver fulminante, que cresce sem parar, o que é muito sórdido. Vai ver que quando você vira cadáver o cabelo deixa de ser sórdido, mas antes ele é, sim”
Quanto ao elemento sórdido do seu mundo, o narcotráfico, Tochtli é um descritor frio, ele conta como corpos são lançados aos tigres, ou mesmo, como pessoas morrem, com alguma riqueza de detalhes, de forma simples, inocente. Mesmo assim ao leitor não é possível entrever do narcotráfico nada além da capacidade de captação de uma criança sobre um assunto tão sórdido.

Com isso, o livro deixa de ser narcoliteratura, para ser algo diferente, com contornos próprios, puro experimentalismo literário. Em que o foco não é necessariamente o mundo do crime, mas algo mais. A forma como uma criança se encaixa e se desenvolve nesse contexto. Tochtli, em toda sua predisposição para ser macho, como o pai lhe ensinou, é acima de tudo uma criança isolada, privada de infância, que vive em um mundo solitário.

Villalobos consegue em menos de 100 páginas tratar de coisas importantes, em um o livro que esconde mais que revela. Aliado a isso reside uma história que é deliciosamente divertida. 
“Antes de dormir procurei no dicionário a palavra prestígio. Entendi que o prestigio se trata das pessoas terem uma ideia boa de você, de acharem que você é o máximo. Nesse caso você tem um prestígio. Patético.”