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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Os Três (Sarah Lotz)

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Autor: Sarah Lotz
Nº de páginas: 400
Editora: Arqueiro
Série/Saga: -
Nota: 4/5













Quinta-Feira negra, este é um dia que ficará para sempre gravado na memória da humanidade. Quatro aviões caíram. Em quatro continentes diferentes, todas as aeronaves de marcas diferentes, e nenhum dos acidentes tem uma causa identificável. Três crianças sobreviveram. E um mulher conseguiu viver por tempo suficiente para mandar uma mensagem:
Eles estão aqui.
O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele...
Pamela May Donald foi quem enviou essa mensagem por celular. E uma vez recebida, essa mensagem irá alterar o mundo.

Não bastante as circunstâncias misteriosas dos acidentes – eles caíram no Japão, Estados Unidos, Inglaterra e África do Sul, este foi o único que não identificou sobreviventes – as crianças que sobreviveram saíram quase incólumes de tragédias que não deveriam permitir nenhum sobrevivente, é um milagre. Além disso, as crianças sobreviventes começam a apresentar comportamentos peculiares - para não falar em perturbador. Hiro, no Japão, Jess, na Inglaterra, e, Bobby Small, dos Estados Unidos, se veem cada vez mais cercados de atenção e especulação.

Em consequência dos acidentes e das sobrevivências miraculosas e, sobretudo, a mensagem de Pamela, suscitam o pastor Len. A partir de então ele começa a pregar que esses acidentes têm significados bíblicos, que podemos estar próximos do fim dos tempos, o apocalipse. E o mais aterrador é que talvez as crianças não sejam mais elas mesmas. Para além da eloquência evangélico-apocalíptica do pastor, outros religiosos e também teorias da conspiração ascendem para tentar explicar os acidentes e prever o que virá depois. Muito mais que sensacionalismo midiático, a situação assume um caráter mais sinistro e o mundo não será mais o mesmo.

É preciso reconhecer que Sarah Lotz concebeu uma trama com pretensões apocalípticas bastante interessante. Mas, seu maior êxito é na forma como ela construiu a narrativa. Diferentemente do que nos habituamos a ver, a construção de Os Três é curiosamente um livro dentro de um livro (tudo bem, isso não é tão inédito assim), adicionalmente, e ainda mais relevante, é a disposição formal do livro, dos capítulos. Não se trata simplesmente de uma narrativa em primeira pessoa, mas de trabalho jornalístico – escrito por Elspeth Martins, a jornalista - que se vale de entrevistas, depoimentos, gravações transcritas, conversas em chats e relatórios. Esses são os capítulos do livro e nisso reside um grande mérito de Sarah Lotz, ela sob tratar de um tema corrente – na literatura, claro -, de maneira inovadora.

Se por um lado essa narrativa com teor eminentemente jornalístico é uma das maiores vantagens do livro; por outro lado ela, por sua própria natureza jornalística, mantém o leitor mais ligado aos fatos que aos personagens.


Em seu conjunto, Os Três é um livro de ritmo intenso. O leitor é mantido sempre no escuro, o que nos é oferecido nos permite apenas especular. A fronteira entre as possibilidades reais e imaginárias é bastante tênue. A forma de contar a história fornece maior potência na geração do suspense. E, bem, o final não é o que se poderia chamar de esclarecedor. Durante todo o livro somos mantidos nas sombras, cheios de perguntas e dúvidas. O final, por sua vez, ao invés de elucidar a questão, oferece na verdade mais perguntas e deixa insolúvel, ou a solucionar o mistério dos três. Sarah Lotz deve a seus leitores respostas, portanto, uma continuação. Espero ver o trabalho de Elspeth Martins em novo volume. Leia e descubra Os Três. 


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Promoção – Lua Vermelha

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O Sempre Lendo em parceria com a editora Arqueiro traz a promoção valendo um exemplar de Lua Vermelha. Na história um conjunto de personagens é colocado em um contexto de extrema violência, até que a noite da Lua Vermelha transforma para sempre o futuro da humanidade. A resenha do livro pode ser conferida AQUI. 
As regras para participação estão contidas no formulário. 


“A violência é o que define a humanidade, é ela que determina manchetes, decide eleições e estabelece fronteiras; o mundo inteiro se reduz à questão de quem bate em que com mais força.” p. 322



a Rafflecopter giveaway


Atualização

A vencedora da promoção foi a Cristiane Oliveira. Obrigado a todos pela participação. 


Conforme disposição das regras a vencedora tem até dois dias para responder o e-mail enviado, caso contrário será realizado novo sorteio.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Lua Vermelha (Benjamin Percy)

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Autor: Benjamin Percy
Nº de páginas: 432
Editora: Arqueiro
Série/Saga: 1
Nota: 4,5/5









“A violência é o que define a humanidade, é ela que determina manchetes, decide eleições e estabelece fronteiras; o mundo inteiro se reduz à questão de quem bate em que com mais força.” p. 322
Criaturas como vampiros, lobisomens e similares, frequentemente tiveram sua natureza relacionada ao sobrenatural. Mas nem sempre. Há uma linha de abordagem segundo a qual a origem desses seres passa a ser permeada por cientificidade. Duas séries lançadas no Brasil representam essa tendência, A Passagem, de Justin Cronin, com vampiros e Lua Vermelha, de Benjamin Percy. Falemos do segundo.

Claire Forrester é um jovem prestes a completar o ensino médio quando tem sua vida subitamente transformada. Certa noite sua casa é invadida por tropas e seus pais sumariamente assassinados. O detalhe é que Claire não é um jovem normal, ela é um licana e agora tem de fugir para que não encontre o mesmo fim dos seus pais.

Patrick Gamble está de mudança, seu pai vai partir para uma missão no exterior e ele passará um tempo na casa da mãe, em outro estado, praticamente uma nova vida. Patrick é um humano, mas como tal ele logo se verá lançado no eterno embate entre humanos e humanos “licanos”. Um acontecimento vai lhe angariar o título de Menino-Milagre.

O governador do Oregon, Chase Willians, reforça o sentimento de adversidade entre os cidadãos. Assume um discurso segregacionista, buscando limitar ainda mais os direitos dos licanos. Com o discurso ácido o governador começa a elevar suas chances de chegar à presidência.

A Resistência, um movimento licano radical, tem realizado uma série de atos terroristas, sequestros, bombas, assassinatos em massa. De ambos os lados as posições têm se extremado, os indivíduos, licanos ou não, acabam por serem lançados nessa maré de ódio.

A vida de nenhum dessas pessoas será mais a mesma. Eles estão prestes a vivenciar um período de escuridão. A noite da Lua Vermelha se aproxima, e com ela um futuro no qual a humanidade se modificará.

Inteligente é um adjetivo que bem comporta o trabalho de Benjamin Percy. O que se apresenta na narrativa bem construída, com riqueza de detalhes, personagens bem caracterizados, revelações surpreendentes. Tudo isso ornado por uma atenção aos detalhes digna de nota. Mas não somente isso. Gamble, por meio de suas criaturas, parece fazer uma metáfora da realidade humana. Ele faz uma grande simplificação, as pessoas estão divididas entre homens e homens licanos, portanto, todos os preconceitos - de qualquer ordem - se restringem a esses polos. Com efeito, de um lado temos humanos ofendidos pela presença de seres demasiadamente diferentes, que precisam ser controlados, segregados, isolados. As reações às fricções provenientes dessa situação são muito bem trabalhadas. Movimentos de resistência, pacíficos, violentos, indiferentes.
“O licano se move tão depressa que Patrick quase não consegue distingui-lo ou gravar uma mensagem; sabe apenas que se parece com um homem, só que coberto por uma penugem cinza (...). Seus dentes cintilam. (...) O sangue espirra e tinge as janelas do avião, pinga do teto. Às vezes a coisa está de quatro, outras vezes equilibrada nas patas traseiras. É corcunda. Tem a cara dominada por um focinho achatado e dentes compridos e afiados como dedos magros, o sorriso ossudo de uma caveira. E as pastas, imensas, ornadas por longas unhas, estão avidamente esticadas e rasgam o ar. O rosto de uma mulher é arrancado feito uma máscara. O intestino é removido de um ventre. Um pescoço é devorado até o osso em um beijo apavorante. Um menininho é puxado e arremessado contra a parede, fazendo silenciar seus gritos.” p. 19
Para completar o cenário Gamble acrescenta cenas de ação, violência e acontecimentos atraentes durante toda a leitura. Os personagens estão sujeitos às condições mais adversas, e há uma tendência no autor de eliminar indivíduos sumariamente relevantes. O final reserva uma surpresa esmagadora.

Lua Vermelha surge como um livro de abordagem inventiva, formado a partir de ideias inteligentes, o que só poderia render uma ótima leitura. Patrick Gamble merece a atenção do leitor. Em definitivo. 



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Lançamento - Os Três (Sarah Lotz)

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A editora Arqueiro já anunciou seus lançamentos para os meses de março, abril e maio. Dentre os destaques está Os Três, de Sarah Lotz. O livro está prevista para o dia 22 de maio. 

A história assume o mesmo tom apocalíptico de A Passagem e Lua Vermelha, duas séries lançadas pela editora. Em The Three o centro de abalo parece girar em torno de três crianças, supostamente cavaleiros do apocalipse. Confira a seguir a capa original, a sinopse e o booktrailer.


Quatro acidentes aéreos simultâneos. Três crianças sobreviventes. Um fanático religioso que insiste os três são arautos do apocalipse. E se ele estiver certo? 
O mundo fica surpreso quando quatro aviões se acidentam simultâneamente em diferentes continentes. Diante do pânico global, funcionários estão sob pressão para encontrar as causas. Com os ataques terroristas e os fatores ambientais descartados, não parece haver uma correlação entre as falhas, só que em três dos quatro desastres aéreos uma criança sobrevivente é encontrada nos destroços. Apelidado de 'The Three' pela imprensa internacional, todas as crianças apresentam problemas de comportamentos perturbadores, presumivelmente causados pelo horror que viveram e o implacável assedio da imprensa. Essa atenção torna-se mais do que apenas intrusiva quando um culto liderado por um pastor evangélico carismático insiste que os sobreviventes são três dos quatro arautos do apocalipse. Os três são forçados a se esconder, mas como o comportamento das crianças torna-se cada vez mais preocupante, até os guardiões começam a questionar a sua sobrevivência milagrosa ...


   

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Não Brinque com Fogo (John Verdon)

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Autor: John Verdon
Nº de páginas: 400
Editora: Arqueiro
Série/Saga: Dave Gurney 3
Nota: 4,5/5










“Não acorde o diabo”
Tenho que começar por dizer que John Verdon é um dos meus autores policiais preferido. Gosto do trabalho que o autor executou em Eu Sei o que você estápensando e Feche Bem os Olhos, ambos da série do detetive Dave Gurney. Não Brinque com fogo é a terceiro caso do detetive.

Dave Gurney é requisitado para ajudar uma velha amiga. Sua filha, Kim, está desenvolvendo um projeto sobre casos de assassinato não solucionados, intitulado os Os órfãos do assassinato. A tarefa de Gurney é assessorar a jovem com questões técnicas acerca de crimes e coisas afins. Importante também é o fato de que o trabalho foi selecionado para ser apresentado em um canal de televisão sensacionalista de sucesso.

Mas não é somente isso. Coisas estranhas têm acontecido na casa de Kim, ponto para o qual Gurney também foi direcionado. Objetos são trocados de lugar, facas desaparecem misteriosamente e depois ressurgem em locais improváveis. Ao que tudo indica as ocorrências são fruto de um relacionamento recém encerrado e um ex-namorado instável.

Gurney então decide ajudar Kim. Mas para tanto ele precisa se familiarizar com o caso. Trata-se dos assassinatos realizados pelo criminoso autodenominado Bom Pastor. O criminoso executou seis vítimas, que dirigiam Mercedes pretos em estradas isoladas e enviou um manifesto as autoridades declarando seus objetivos. Depois dos crimes, ocorridos há dez anos, o criminoso desapareceu sem deixar vestígios. Na época, foi construído um perfil psicológico do assassino unanimamente aceito. Contudo, após se familiar com os documentos sobre o Bom Pastor, o detetive começa a perceber inconstâncias no perfil traçado. E para provar sua tese terá de enfrentar a consagrada pelo próprio FBI. Além de tudo isso, os acontecimentos estranhos envolvendo Kim passam a fazer parte da vida de Gurney; até que seu celeiro é incendiado e ele sofre um acidente em um porão. E pode ser que o Bom Pastor resolva retornar.

Dave Gurney é o tipo que não consegue lidar com questões irresolutas. Mesmo após se aposentar, o detetive já se envolveu em dois casos – Melerry e Perry. Diante do Bom Pastor ele segue o mesmo ímpeto, e as obstruções só servem para fortalecê-lo. Porém, Gurney não é mais o mesmo. Os acontecimentos do caso Perry, e as seqüelas físicas ainda não totalmente curadas, lhe impuseram certos limites e evidenciaram sua vulnerabilidade. Com isso, vemos um Gurney mais impulsivo, amplamente mais raivoso e, de certo modo, depressivo. Ainda assim, o detetive não perde a fé em sua capacidade analítica.

E esse é um dos aspectos que mais gosto do trabalho de Verdon, o caráter eminentemente analítico. Os livros do autor, mesmo contemplado a ação e outros aspectos necessários, são constituídos de elementos de análise ressaltados. Dave é um detetive brilhante que trabalha com um raciocínio preciso. De modo que vemos casos serem delicadamente expostos até a solução inteligente. Além dessa característica, e também por ela, Gurvey é um dos detetives mais capazes que conheço. Sem falar que é um personagem de grande consistência. E falando em personagens, Dave será novamente assessorado pelo seu “parceiro”, o incontinente, Jack Hardwick, e pela sua inteligente esposa, Madeleine. Um novo personagem também surge, Kyle, o filho com quem o detetive tem uma relação difícil.

Está montada a estrutura. E como sempre John Verdon conduz seu trabalho com excelência. Um caso nebuloso, um detetive perspicaz, e, de grande importância, um criminoso de inteligência equivalente.

Um aspecto que acho importante ressaltar é que embora séries policiais possam ser lidas de forma “independente”, creio que a leitura da série Dave Gurney na seqüência é de elevada importância para que se apreenda toda a complexidade do detetive e se aprecie a qualidade do trabalho de Verdon. 



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A Nascente Vol. I e II (Ayn Rand)

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Autor: Ayn Rand
Nº de páginas: Vol.1 - 432 e vol.2 - 360
Editora: Arqueiro
Série/Saga: A Nascente - Vol. 1 e 2
Nota: 5/5










“Em nome de que direito concebível alguém pode exigir que um ser humano exista para qualquer coisa que não seja a sua própria alegria?” p. 189 vol.2 
Entre os diversos tipos de romance existentes a díade personagem-cenário pode assumir, genericamente, dois formatos: o primeiro diz respeito às situações em que o personagem é um meio para se apresentar um cenário maior; o segundo caso é aquele em que o cenário é meramente uma forma de ressaltar o personagem. (Claro, deve existir uma terceira via, a do equilíbrio). Em se tratando de A Nascente o cenário é apenas uma forma para se apresentar o modelo de “homem ideal”. Corporificado em Howard Roark.

Howard Roark é um desajustado. Expulso da faculdade de arquitetura, deslocado socialmente, solitário e individualista. Um homem determinado a negar os padrões de uma sociedade com a qual não se identifica. Esse é o herói de Ayn Rand, A Nascente é um romance que cria as condições para que tal figura possa emergir. Desde a juventude Roark se recusou a assumir normas sociais. Após abandonar a faculdade de arquitetura, decidiu seguir seus próprios padrões arquitetônicos. Se recusando a aceitar o estilo histórico, e trabalhando tão-somente no estilo modernista, o qual ele acredita e respeita seus padrões racionais. Mas a integridade e os preceitos de Roark são colocados em cheque. A sociedade está demasiadamente calcada em tradicionalismo, conservadorismo e parasitismo para adotar seu modelo arquitetônico, ou assumir uma postura criativa. Apesar disso, mesmo diante da possibilidade do desemprego, Roark é inexorável em seu posicionamento. Se predispondo a realizar trabalhos manuais a ter de ceder sua posição. Assim um cenário de dificuldade e desafios se põe no caminho de Howard Roark.

Entretanto, Roark não domina toda a cena. Apesar de sua centralidade uma alegoria de outros personagens se faz presente. Especialmente, os elementos que terão de por a prova a tenacidade do herói e os representantes ilustres da “feiúra do mundo”. Uma jovem mulher que se recusa a ter qualquer relacionamento profundo; um magnata poderoso que é uma incógnita; um jornalista ambicioso, e um arquiteto que representa a debilidade humana. Desse elenco vale a pena ressaltar a figura de Peter Keating. Keating é o inverso de Roark. Um jovem arquiteto com uma carreira aparentemente promissora. Mas um homem que vive em condições de subordinação; sequioso de agradar os outros, vivendo pela aprovação alheia, e um profissional que não sabe o que é amar o seu ofício. Um exemplar de parasitismo humano. 

O papel coadjuvante do enredo não diminui sua relevância. O quadro criado por Ayn é capaz de comportar as condições para seu “homem modelo”. A arquitetura é a expressão de arte adotada. E é sobre os seus fundamentos que será travada a batalha acerca da verdadeira capacidade humana.

É importante notar, apesar de ficcional A Nascente é um romance filosófico que coaduna parte importante do pensamento de Ayn Rand. Sua perspectiva acerca do homem assume aqui status de grandeza. Ela traz a tona uma idéia antiga: a busca egoística do interesse individual tende a promover o interesse comum. A individualidade, a racionalidade, a autodeterminação, e o egoísmo - sem quaisquer constrangimentos -, são elementos fundamentais na obra da autora. Rand se levanta contra toda e qualquer forma de coletivismo. Entende a organização coletiva como a forma de promoção de pessoas individualmente incapazes – também personalizados no romance. E é com base nesses fundamentos que é erigida A Nascente. Assim, não é por acaso que a autora causou e causa polêmica.
 “- É interessante especular sobre as razões que tornam os homens tão ansiosos para se rebaixarem a si mesmos. Como naquela idéia de se sentir pequeno diante da natureza. Não é só uma idéia popular, é praticamente uma instituição. Você já notou como um homem se sente virtuoso quando fala sobre isso? Ele parece dizer: ‘Olhe eu estou tão satisfeito por ser um pigmeu, veja como sou virtuoso.’” [...]” p. 70 vol.2
É possível notar elementos louváveis na obra de Rand. A crença inabalável dada construção de um modelo humano de integridade irremovível, e mesmo, a veneração que a autora tem pelo Homem. Para ela, o Homem é o único fim em si mesmo. E talvez seja esse o ponto mais essencial de sua produção: a exaltação do gênero Humano. Em relação aos demais elementos, creio que a autora assumiu uma inocência notável – pra não dizer uma disposição idealista e utópica. Não creio que seja concebível seu liberalismo radical, ainda que a liberdade seja fundamental. O destaque na busca do interesse egoístico é outro aspecto a ser questionado. O modelo heróico erigido não parece ser de todo possível.

Além dos elementos filosóficos presentes na obra, há que se destacar a qualidade romanesca do trabalho de Rand. Os personagens construídos pela autora são, em essência, complexos. Temos figuras com objetivos claros, mas existem também os indivíduos dúbios, com interesses questionáveis, romance e, acima de tudo, a necessidade de satisfazer alguns questionamentos: Será que Howard Roak irá perseverar até o fim? E caso consiga, qual será o seu futuro?

Um dos maiores méritos de Ayn Rand é abordar um assunto extremamente delicado de forma ficcionalizada mantendo a coerência do romance – com personagens interessantes, um enredo digno e uma narrativa atraente - em consonância com a integridade ideológica. Independentemente do alinhamento ideológico, A Nascente é um livro que se faz necessário. Uma obra brilhante. 



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Inocente (Harlan Coben)

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Autor: Harlan Coben
Nº de páginas: 336
Editora: Arqueiro
Série/Saga: -
Nota: 4/5










Coben dispensa apresentações. Sobre “O mestre das noites em claro”, conforme a alcunha francesa,  basta dizer que ele está entre os melhores autores de suspense da atualidade.

Em O Inocente conhecemos Matt Hunter. Matt é um jovem que está na faculdade e ao que tudo indica terá um futuro promissor. Mas em um dia fatídico um acidente interrompe sua trajetória. Durante uma briga, Hunter intervém para separar os combatentes, porém ele acaba matando acidentalmente um rapaz. Seu destino seria então passar 4 anos na prisão.

Quando finalmente é posto em liberdade Hunter tenta reconstruir os cacos de sua vida passada. Obviamente as coisas mudaram dramaticamente. Apesar disso, com alguns tropeços aos poucos ele consegue se assentar em sua nova vida. De forma que, nove anos após o acidente, ele conseguiu constituir sua própria família. E Olívia, sua esposa, está grávida.

Quando Matt Hunter enfim parece ter novamente engendrado um caminho mais tranqüilo, eis que o destino retorna para lhe pregar mais uma peça. Ele começa a receber em seu celular vídeos em que sua esposa aparece com uma peruca loura em um quarto misterioso com outro homem. Para deixar a situação ainda mais delicada, Matt percebe que tem alguém lhe seguindo. E uma série de ocorrências desconectadas e confusas leva a polícia a Matt. Um cenário nada promissor se põe diante de Matt Hunter.
“Adivinhe o que estou fazendo com sua mulher neste instante.” 
Harlan Coben tem uma capacidade de colocar personagens comuns, nada excepcionais, que tem vidas como quaisquer outras, em situações extremas. O casal Matt e Olívia com uma vida simples, feliz, se vê de súbito lançado em um espiral de segredos e acidentes. O passado, que ocupa lugar especial na produção de Coben, novamente se faz elementar. As escolhas, os caminhos e a necessidade de construir um novo futuro, uma nova história, são questões centrais. Mas o passado sempre retorna, especialmente quando não foi encerrado definitivamente. 

Assim, a fórmula de Harlan Coben vai se constituindo. Personagens críveis, histórias paralelas sem qualquer ligação aparente, uma passado misterioso que vai de revelando aos poucos, e desdobramentos complexos que podem levar o leitor a caminhos variados. E dessa mistura que surge um marido aflito, uma esposa misteriosa, assassinatos, perseguições, e uma busca desesperada por respostas.

Com esses elementos reunidos, muito bem dosados, O Inocente é concebido em caráter de excelência dentre a produção de Coben. Um ótimo thriller.



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Novidade - O Inocente, do Harlan Coben

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A editora Arqueiro vai lançar O Inocente, do Harlan Coben. A previsão de lançamento é dia 5 de novembro. O livro já havia sido lançado no Brasil pela editora Arx, que publicou o livro em 2006.

“Harlan Coben faz em seus livros o que Alfred Hitchcock fazia em seus filmes.” - South Florida Sun-Sentinel 



Aos 20 anos, Matt Hunter vive uma noite de horror que ficará para sempre gravada em sua memória. Durante uma festa, ao tentar apartar uma briga, ele mata uma pessoa acidentalmente e é considerado culpado pelo júri. Agora, nove anos depois de ser libertado da prisão, tudo parece ter entrado nos eixos: Olivia, sua esposa, está grávida e os dois estão prestes a comprar uma casa na cidade natal dele. Mas a ilusão acaba quando Matt recebe um vídeo chocante e inexplicável que começa a despedaçar sua vida pela segunda vez. Para piorar, ele começa a ser seguido por um homem misterioso. Em pouco tempo, o perseguidor é encontrado morto e uma freira querida por todos também é assassinada. Quando as pistas apontam para Matt, ele e Olivia são forçados a desafiar a lei em uma tentativa desesperada de salvar seu futuro juntos. O inocente é um thriller vertiginoso, carregado de emoções. Além disso, é um relato contundente sobre as escolhas que às vezes somos obrigados a fazer e as dramáticas repercussões que teimam em não nos abandonar. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novidade sobre novo livro de Joe Hill

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A editora Arqueiro anunciou ontem em sua conta do facebook que lançará o livro NOS4A2, último lançamento do Joe Hill – filho do Stephen King. A previsão é que o livro seja lançado por aqui ano que vem, ainda sem data definida. A Arqueiro já tem publicado do autor: A Estrada da Noite, Fantasmas do Século XX e O Pacto.

"Simplesmente o melhor escritor de horror de nossa geração [...]” - Michael Koryta 
"NOS4A2 é uma obra-prima do horror." – Levi Grossman, A revista Time 
"Fascinante e totalmente envolvente, este romance é a certeza de deixar os leitores querendo mais. Uma coisa é certa, porém. Depois de ler este livro, os leitores nunca vão ouvir canções de natal exatamente da mesma maneira." – Library Journal (Starred Review) em NOS4A2





sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O menino da mala (Agnete Friis & Lene Kaaberbol)

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Autor: Agnete Friis & Lene Kaaberbol
Nº de páginas: 256
Editora: Arqueiro
Série/Saga: Nina Borg #1
Nota: 3,5/5











A produção policial nórdica (ou escandinava) traz consigo um elemento que considero muito interessante. Uma espécie de valor social. São livros provenientes de países em que as taxas de criminalidade e violência são muito reduzidas – supondo um “modelo” de sociedade -, e daí os romances policiais cumprem a tarefa de colocar em questão os dados. Mostrando que apesar dos “bons números” subjaz nessa sociedade um mundo obscuro.

Em O menino da mala somos apresentados à enfermeira da Cruz Vermelha, Nina Borg. Nina é uma mulher que se entrega de corpo e alma a profissão que escolheu exercer. E para tanto, ela não mede esforços para salvar vidas, mesmo que com isso coloque em risco a sua própria vida. É está mulher que diante do pedido de uma amiga vai ao metrô buscar uma mala misteriosa. Encontrando dentro dessa mala um menino, nu e drogado.

A descoberta do “menino da mala” automaticamente ativa o sensor de proteção de Nina, e quando ela percebe que existe outra pessoa, um gigante permeado de ódio, atrás do menino ela não hesita em fugir e buscar, ela mesma, cuidar da situação.

Mas as coisas vão ficando cada vez mais delicadas. E sua amiga, que havia lhe pedido para buscar a mala, é brutalmente assassinada. Para deixar as coisas mais interessantes, o menino, que parece ter cerca de três anos, não fala o mesmo idioma da enfermeira. Segue-se uma fuga desesperada para salvar o garoto.

Apesar da centralidade do papel da Nina Borg, a trama não se resume a ela. Conhecemos desde o início uma mãe solitária que vive somente para seu filho, um empresário que passa por dificuldades para realizar um “negócio” e um brutamonte tão cruel quanto inocente. Essa mãe que passará da solidão para a desolação tem espaço especial no livro.

Nina Borg a princípio me pareceu um tanto quando descompensada. Ela age simplesmente por impulso. Instinto é o que a move. Dado esse comportamento, em certos momentos errante, ela se mostra uma personagem complicada. Mas apesar de suas ações impensadas é possível perceber que sua propensão imparável para o perigo e pela tentativa de salvar vidas reside em um aspecto bastante particular de sua história.

Como indicado no começo, os romances provenientes desses países tendem a evidenciar maculas sociais. E neste aspecto, O menino na mala é feliz. Aqui vemos desvelada a problemática do tráfico de crianças, dos complexos problemas com a imigração - questão que parece ainda insolúvel nessa parte do mundo. Satisfeita essa característica, está ausente nesse livro uma especificidade quase dominante na produção nórdica, o inverno rigoroso. Inversamente, a história se passa em pleno o verão. Não que isso constitua ponto negativo, apenas diferente.

Quanto a capa é necessário dizer que é um dos projetos gráficos mais legais da editora. E consegue ser ainda mais agradável pessoalmente. Uma bela capa. 

Ao fim, me parece que O menino na mala, embora não traga a “primeira linha” do romance policial nórdico - é bom se manter longe de comparações com Stieg Larsson - cumpre seu papel de forma exitosa. É um bom livro.