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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Minha querida Sputnik (Haruki Murakami)

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Autor: Haruki Murakami
Nº de páginas: 232
Editora: Alfaguara
Série/Saga: -
Nota: 4/5











“No mundo em que vivemos, o que conhecemos e o que não conhecemos são como irmãos siameses, inseparáveis, existindo em um estado de confusão.”

Minha primeira incursão pela produção de Murakami ocorreu através do livro Do que eu falo quando falo de corrida; um compilado de ensaios e artigos em que o autor discorre sobre a prática de corrida e sua produção literária – elementos que parecem indissociáveis. Foi uma leitura rápida e só fez aumentar a minha curiosidade de ler um romance do autor. De forma que minha iniciação na prosa de Mukarami ocorreu com Minha querida Sputnik.

Sumire, 22 anos, é uma garota que sonha em um dia se tornar uma grande romancista. Para perseguir seu objetivo ela abandonou a faculdade e resolveu passar tanto tempo quanto o possível escrevendo aquela que viria a ser sua grande obra. Ainda na faculdade ela conheceu K, o narrador. Sumire e K têm uma relação muito próxima. O elemento que os uniu inicialmente foi o interesse literário – ambos são leitores assíduos. Assim, eles vão tecendo uma amizade que chega a um ponto de compreensão mútua nem sempre observado. Para Sumire, K é um amigo especial, em quem ela pode confiar tudo, particularmente seus escritos. Já K vê em Sumire uma amiga, mas ele nutre por ela também um sentimento amoroso, não correspondido.

Sumire tem certos problemas com suas relações amorosas, embora já tenha tido alguns relacionamentos ela nunca se viu realmente comprometida. Essa situação muda quando ela conhece Miu. Isso ocorre durante a festa de casamento do primo de Sumire. O contraste entre ambas é evidente: Mil é 17 anos mais velha, uma mulher requintada, já Sumire impressiona com sua simplicidade. Apesar de tudo, as duas acabam se entendendo. E enquanto Miu simpatiza por Sumire, esta se vê as voltas com um sentimento por Miu que até então ela não havia experimentado. E se entre Sumire e K a literatura é o elemento de aproximação, entre ela e Miu será o fascínio pela música clássica.

Depois disso, Miu convida Sumire para que ela possa trabalhar com ela. Em seguida uma viagem é empreendida e então começa a ter lugar os elementos fantásticos que caracterizam as tramas de Murakami. Um evento não explicado, um ocorrência fantástica, e questionamentos sem resposta se põem em evidência.

A primeira coisa que me fez gostar desse livro foram os personagens. Sumire assume o ar daquele tipo de personagem algo autentica e exótica; K é um homem que guarda um sentimento não correspondido, mas vive em uma solidão permanente, em que Sumire é quem parece compensar esse vazio; Mil é uma mulher madura, que reserva um passado que a transformou profundamente. O trio vem assessorado de uma prosa que conserva uma leveza, sensibilidade e cuidado notáveis. 

“Porque as pessoas têm de ser tão sós? Qual o sentido disso tudo? Milhões de pessoas neste mundo, todas ansiando, esperando que os outros as satisfaçam, e contudo se isolando. Por quê? A terra foi posta aqui só para alimentar a solidão humana.”
Minha querida Sputnik é um livro acima de tudo agradável. Isso porque Murakami sustenta sua história em personagens que interessam ao leitor, em conformidade com uma prosa lírica perceptível. Ainda que seja importante dizer que o livro traz questões incomodas, como a solidão.

Resta-me dizer que Murakami é um autor especial. O fato de estar, já há algum tempo, entre os favoritos do prêmio Nobel não parece ser injustificado.
“No avesso de tudo que acreditamos identificar perfeitamente, esconde-se uma quantidade igual do desconhecido. O entendimento não passa da soma de nossos mal-entendidos.”


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Na Companhia das Estrelas (Peter Heler)

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Livro: Na companhia das estrelas
Autor: Peter Heler
Nº de páginas: 408
Editora: Novo Conceito
Série/Saga: -
Nota: 4/5







“Fiquei pensando: morrer é assim? Ser solitário dessa maneira? Estar fortemente ligado a uma grande quantidade de amor e passar por cima dela, ignorá-la?” P. 209

O que aconteceria se de súbito algo mudasse o mundo como o conhecemos? A literatura tem transitado pelo campo das especulações em relação a um futuro pós-apocalíptico. Mas, embora existam obras que se aprofundem nas consequências políticas e outras dimensões em um sentido universalizante. Outras optam por fazer uma abordagem mais simplista. Buscando tratar o futuro sobre uma ótica mais micro, sobre a perspectiva da memória, perda e esperança humana. É o que faz Na companhia das estrelas, de Peter Heler.

Hig é um homem de 40 anos, que já teve um passado, uma história, difícil de ser superada. Ele tinha uma casa, uma esposa, por quem era apaixonado, e esteve muito perto de ter um pouco mais que isso.

Mas de súbito, como se uma peça pregada pelo destino, esse mundo desmorona, e a esposa de Hig, bem como uma grande parte da população, é atingida por uma “gripe” pandêmica e por ela vitimada. 

Essa história ocorreu em outro tempo, há nove anos. Agora Hig, seu companheiro Jasper, o cão, Fera, um avião dos anos 1950, e Bangley, um velho durão, vivem no hangar de um aeroporto abandonado, sozinhos, isolados.  E essa situação pode mudar quando Hig, pela primeira vez, recebe uma resposta de uma base aérea.

Na companhia das estrelas não é um livro que ganha o leitor logo de início. A princípio pode parecer uma história um tanto quanto enfadonha. Mas é um livro que vai ganhando o leitor com o desenrolar das páginas e dos acontecimentos. Conforme avancei na leitura, após a hesitação inicial, me vi mergulhado em um universo desolado, que me era apresentado pela perspectiva de um ser humano, Hig, que contra todas as possibilidades ainda carregava em si alguma esperança.

A narrativa, e a própria condução da história, é feita por Hig. A forma como Hig o faz pode parecer incialmente um tanto confusa, pois o leitor ainda tem de se habituar a disposição simples, sem qualquer indicação, dos diálogos. E os diálogos são recorrentes. Bangley não é um companheiro amistoso, a parceria entre ele e Hig parece seguir apenas uma lógica de sobrevivência. Hig por outro lado tem uma necessidade de se comunicar, e o faz com Jasper e também em uma série recorrente de diálogos interiores.

Hig é o tipo de personagem que sobre as condições mais adversas, ainda tenta acreditar na bondade alheia. O que o diferencia de Bangley que adota a filosofia atire primeiro, pergunte depois. Enquanto Hig tenta sempre dar uma chance, o que por vezes lhe custa caro.

Apesar do que apresenta a sinopse, as aventuras de Hig e Jasper em uma aeronave antiga, o que de fato ocorre, o livro transcende essa descrição e avança em sentidos e caminhos mais extensos.

Peter Heler escreveu uma história cadente; a prosa do livro tem um tom poético, leve, dramático. Essa cadência pode conquistar o leitor, porém acredito que a chance de que isso ocorra estará relacionada à maturidade do leitor. Podendo ser uma experiência não totalmente satisfatória para marinheiros de primeiras viagens.


Na companhia das estrelas é um guia de sobrevivência diferente, com um personagem, ao mesmo tempo, inocente e sensível. Características que fazem desse livro uma oportunidade de se aventurar por um mundo desolado, mas que ao mesmo tempo parece não ter abandonado, de todo, sua humanidade. 
“(...) agora percebo que talvez o verdadeiro encanto só acontece no limbo. Não sei por quê. Será se é porque somos tão inconstantes, indecisos e sempre à espera? Como se a vida precisasse de muitas oportunidades, muito espaço para expandir. O não saber alguma coisa, a esperança, a dolorosa efemeridade: isso não é real, não como pensamos, e então deixamos passar, deixamos que se desenrole com leveza. O tempo voa. É assim que parece agora quando olhamos para trás.” P. 277



quarta-feira, 6 de março de 2013

Um Porto Seguro (Nicholas Sparks)

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Livro: Porto Seguro 
Autor: Nicholas Sparks
Nº de páginas: 414
Editora: Novo Conceito
Série/Saga: -
Nota: 3,5/5











Nicholas Sparks é um autor que tive uma experiência de altos e baixos. Minha primeira leitura foi positiva, com o livro Um Homem de Sorte, um tempo depois tive uma experiência menos satisfatória, com “A Escolha”.

Devido a estas condições iniciei a leitura de “Um Porto Seguro” sem saber muito bem o que esperar. Mas devo dizer que foi uma leitura muito agradável.

Nessa obra Nicholas nos apresenta Katie, uma mulher próxima aos trinta anos que se refugia em uma pequena cidade no sul dos Estados Unidos, Southport. Katie é uma mulher bela, mas muito discreta, trabalha em um bar na cidade, e mora em uma casa simples em uma região mais isolada da cidade.

Devido a ser uma cidade pequena, logo surgem alguns questionamentos sobre a história de Katie, contudo a postura de afastamento adotada pela forasteira não abre espeço para muita especulação.

O afastamento de Katie permite que ela se relacione com poucas pessoas na cidade, entre elas sua vizinha, Jo, uma amiga sincera, e com Alex, um viúvo e dono da mercearia local.

Apesar das tentativas de aproximação Katie não se sente segura em qualquer lugar que tenha passado, ela convive com o espectro de um passado que não hesita em assombrá-la e no qual ela sempre teme que consiga tirá-la da situação de “conforto”.

Aos poucos a resistente forasteira se vê cada vez mais ligada com Alex e seus filhos, em especial, a filha do viúvo. Katie também desperta a atenção de Alex aos poucos ele tenta quebrar a barreira que se formou em torno dela.

Nicholas Sparks mantém a estrutura geral de seus romances, um relacionamento que começa a se conformar logo de início, e segue por todo o livro até o derradeiro final trágico. Contudo, nesse livro o autor trata de um assunto mais complexo, e o faz de forma bem competente, conhecer o passado de Katie é fazer uma viagem por uma realidade perigosa.

Os personagens são poucos, destaque para Katie que tem uma enorme força para sustentar todo o terror que ela havia deixado para trás, mas que ameaça ressurgir a qualquer momento. Jo é uma amiga que embora não esteja presente em todos os momentos aparece sempre se faz necessária. Misteriosa e com uma vida atribulada ela é  uma ótima confidente para Katie. Alex é o viúvo que ainda não conseguiu superar a perda da esposa e vive para os filhos, mas que aos poucos vê essa situação seguir um rumo diferente. 

A alternância dos narradores a cada capítulo,  apoiado por uma boa narrativa, são fatores fazem com que a leitura fique mais interessante.   

Uma história bem contada, bons personagens e a abordagem de um tema complexo e atual fazem de “Um Porto Seguro” uma boa leitura. 




quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Começo do Adeus (Anne Tyler)

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Livro: O Começo do Adeus
Autor: Anne Tyler
Nº de páginas: 208
Editora: Novo Conceito
Série/Saga:  -
Nota: 4/5









Sabe aquele tipo de livro que, você escolhe aleatoriamente para ler sem ter qualquer expectativa positiva em relação à leitura? Pois é, foi exatamente essa a minha situação com “O Começo do Adeus”. Contudo, para minha satisfação eu me vi surpreendido pela obra. 

Logo que comecei a ler o livro toda à resistência que poderia ter havido foi varrida, me vi cada vez mais interessado pela história, ou melhor, pelos relatos do personagem que nos conta sua jornada, Aaron.

Aaron é um homem de meia idade, trabalha na editora da família e de de súbito se vê viúvo. A partir desse trágico episódio observamos a ocorrência de um evento nem um pouco natural na vida de Aaron, Dorothy, sua falecida esposa, passa a aparecer para ele. Mas, o que poderia dar espaço a uma história sobrenatural, toma um rumo bem diferente, acompanhamos o personagem em suas reminiscências, ele passa a contar a história de seu casamento, da sua vida. 

É nesse ponto que entra a habilidade de Anne Tyler como escritora. Para realizar a missão que Aaron se propõe a fazer ela criou um personagem diferente. Aaron é um homem amargo, desajustado socialmente, com uma deficiência que lhe dificulta a locomoção o obrigando a usar uma bengala, que ele resiste em utilizar. Não bastasse isso teve, e ainda tem, uma série de questões familiares que o perturbaram, o protecionismo por parte da mãe, já falecida, e de sua única irmã, Nandida, o sufocam, contribuindo sobremaneira para seu comportamento intempestivo.

Mas, apesar dessas condições, Aaron é um ser humano como outro qualquer, cheio de defeitos, mas também qualidades, um personagem humano em vários sentidos.

A narrativa em primeira pessoa, e a escrita ao mesmo tempo sincera e cativante de Tyler, foram elementos essenciais para exposição de uma questão que o livro trata, como lidar com as perdas. No caso de Aaron ele não teve um casamento aparentemente dos mais felizes, pelo contrário, foi um relacionamento pontuado por discussões que se originavam de questões triviais e que poderiam ter sido facilmente solucionados. A forma como o personagem nos expõe isso faz toda a diferente, ele narra sua história de forma clara, apresentando os detalhes relevantes, sem contudo pormenorizar.

Anne Tyler permite que Aaron transmita sua mensagem de uma forma que chama a atenção do leitor, primeiro pela humanidade do personagem, segundo pela qualidade e facilidade da escrita. Tyler nos fala de perda, ou de como lidar com uma questão de tamanha complexidade, de uma maneira simples, leva o leitor a refletir sem que para isso necessite nutrir o texto de uma linguagem ou narrativa complexa.

Mas, apesar de tudo é um livro que talvez não chegue a agradar alguns leitores, em especial pelo seu caráter mais, digamos, soturno, e pela narrativa cômoda.

No entanto, devo afirmar que Anne Tyler foi uma feliz surpresa, Aaron um personagem humano, uma figura memorável. 



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Escolha (Nicholas Sparks)

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Livro:  A Escolha
Autor: Nicholas Sparks
Nº de páginas: 307
Editora: Novo Conceito
Série/Saga:  -
Nota: 3/5








Travis Parker é um veterinário, morador da pequena cidade de Beaufort, na Carolina do Norte. Travis tem uma profissão pela qual é apaixonado, um cachorro, Moby, como seu fiel companheiro, e uma casa a beira-mar, que serve muito bem a seus propósitos esportivos.

No campo amoroso, Travis é um solteirão, seus relacionamentos nunca duraram muito tempo. Mas, as coisas podem estar prestes a mudar.

Gabby Holland é uma assistente médica, que sempre respeitou os desejos da sua família, na verdade da sua mãe. Moradora da pequena cidade ela é a nova vizinha de Travis. Contudo, o primeiro encontro entre os dois não foi dos mais festivos. Irada devido a uma suspeita de sua cadela, Molly, estar grávida, Gabby, considerando que o responsável é o cão do vizinho, Moby, parte  irritada para cima de Travis, mas o vizinho tenta de toda forma ser gentil.

Mas, mesmo depois de um primeiro encontro um tanto quanto perturbado, os dois tentam de alguma forma se tornarem vizinhos amigáveis, a partir desse ponto que a trama tem o seu desenrolar. Travis se vê cada vez mais intrigado pela personalidade de Gabby, e começa a flertar com a vizinha, o que iniciou com uma discussão passa a tomar um rumo diferente. 

Esse é meu segundo livro do Sparks, tenho que admitir que gostei bastante da minha primeira experiência, que foi através do livro, Um Homem de Sorte, mas nem tanto da segunda.

A trama gira em torno dos dois personagens, Travis e Gabby, e com uma presença mais participativa de Stephanie, a irmã de Travis. O número reduzido de personagens contribuiu para que eu não gostasse tanto quanto eu queria do livro.

Os personagens foram bem criados, Travis é um homem livre, que nunca se prendeu, e vive feliz com seu cachorro, os finais de semana com os casais de amigos e seus esportes. Gabby sempre foi subserviente aos desejos da mãe, com uma vida estável e um namorado, Kevin, pelo qual ela pensa esta apaixonada. E, por fim, a minha personagem favorita, Stephanie, a irmã de Travis, bonita, impetuosa, sincera e provocante ela rouba a cena.

A narrativa é o ponto forte do livro, gosto da forma como o autor narra à trama, a narrativa é em terceira pessoa e os capítulos se alternam entre os personagens.
Algo que pode incomodar o leitor é o fato de o início do livro começar narrando um evento futuro, e, portanto, pode estragar alguma surpresa.

De uma forma geral eu gostei do livro, a narrativa é fácil, a história é leve, o romance, a marca registrada do autor, está presente de forma marcante, sendo assim, os fãs do autor dificilmente vão se decepcionar. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dizem por aí (Jill Mansell)

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Livro: Dizem por aí
Autor: Jill Mansel
Nº de páginas: 432
Editora:Novo Conceito
Série/Saga: -
Nota: 3/5








Tilly Cole foi abandona pelo seu namorado, ela chegou em seu apartamento e descobriu que ele havia levado tudo que era dele. Depois desse evento ela toma uma decisão, mudar de lugar, e acaba indo morar no vilarejo de Costswolds perto de sua melhor amiga Erin.

Na nova cidade ela acaba indo trabalhar para Max Dinner. Max é um designer de interiores, mas entre as funções de Tilly está tanto apoiar ele nesse trabalho quanto ajudar a cuidar da casa e de Louisie, filha de Max. Mas ela logo descobre que mesmo seu patrão sendo pai ele se divorciou recentemente e é gay.

No pequeno vilarejo as notícias correm rápido e Tilly logo é alertada sobre o perigo que o solteirão Jack Lucas representa. Jack é o tipo conquistador, um imã para as mulheres. Ele trabalha com Max e sempre que tem a oportunidade flerta com Tilly, mas ela sabe que ele tem uma fama de garanhão e a ultima coisa que ele deseja e se relacionar com Jack.

Dizem por aí é um click-lit com todas as características que esse gênero comporta, a trama é leve, previsível e divertida.

Mas esse livro tem uma particularidade entre os livros do gênero, não que eu tenha lido muitos, mas esse é o primeiro que vejo com uma narrativa na terceira pessoa. Gostei dessa narrativa, assim é possível conhecer os personagens principais e não fica focado apenas na protagonista como geralmente ocorre quando a narrativa é em primeira pessoa.

O livro não é muito engraçado, mas é possível se divertir com algumas cenas. Entre os personagens a que mais gostei foi a Louisie, a garota é sincera, decidida e brigona. Max é um personagem sincero, ele simplesmente diz o que acha, não mede suas palavras, o que lhe garante o posto de mais engraçado. Tilly se saiu menos previsível do que eu esperei, digamos que a garota tem fibra. Erin é o tipo sonhadora e altruísta. O livro ainda reserva outras personagens que recebem um pouco mais de atenção, como a excessivamente sincera, para não dizer mal educada ,Stella.

Dizem por aí é um livro que pode agradar os fãs do gênero click-lit, mas também leitores que buscam uma leitura leve, descontraída e divertida. 


terça-feira, 8 de maio de 2012

Cruzando o Caminho do Sol (Corban Addison)

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Livro: Cruzando o Caminho do Sol
Autor: Corban Addison
Nº de páginas: 448
Editora: Novo Conceito
Série/Saga:  -
Nota: 5/5


Cruzando o Caminho do Sol é o livro de estreia de Corban Addison, e posso dizer que sem dúvidas ele teve um início primoroso. Tratando de um tema dos mais complexos – o tráfico humano – que mesmo sendo bem denso acabou por ser muito bem encaixado nessa história que deliberadamente arrebata o leitor.

Vamos conhecer um pouco mais da história...

A família Ghai tem uma posição de destaque na sociedade indiana, da casta dos comerciantes eles têm uma vida estável e as duas irmãs Ahalya, de 17 anos, e Sita de 15, fluentes na língua inglesa, tem um futuro dos mais brilhantes pela frente.

Mas tudo muda quando um tsunami ataca à costa da Índia, morada dos Ghai, e acaba por levar a maior parte da família Ghai, vitimando os pais a avó e a empregada das às jovens e indefesas Ahalya e Sita. Sozinhas em uma cidade devastada pelo tsunami elas terão de encontrar alguém que possa ajudá-las a chegar ao colégio onde elas estudavam, mas nessa jornada pessoas com objetivos dos mais escusos estão no caminho.

Nos EUA conhecemos Thomas Clarke, um jovem advogado, que tem um emprego em uma grande firma de advocacia e com um futuro promissor, contudo ele tem passado por dificuldades em sua vida pessoal, recém-abandonado pela esposa, que partiu para seu país de origem, a Índia, e com alguns problemas na empresa, ele acaba decidindo ir atrás de sua esposa, e decide aceitar da empresa a oportunidade de passar 1 ano sabático na Índia, onde ele decidiu trabalhar em uma ONG, a Aces, que combate o tráfico humano em Mumbai. Essa viagem irá lhe descortinar novos horizontes.

Dois episódios, dois continentes, duas história, inicialmente, sem nenhuma ligação, mas que irão se entrelaçar de uma forma brilhante, Corban faz uma concatenação desses fatos de forma surpreendente, o envolvimento dos personagens, e os rumos que a trama vai tomando, torna a leitura mais que agradável.

O autor arquitetou uma trama das mais atraentes, uma temática forte, mas que infelizmente faz parte da realidade, e ele aborda esse tema da forma mais impressionante, ele dá alma aos personagens.

E os personagens são um dos pontos altos da obra, é impossível não se envolver, não torcer, não se relacionar com eles.

Ahalya e Sita são duas jovens guerreiras, passando por situações que são muito mais que desafiadoras, as garotas são possuidoras de uma fé impressionante, não há como conhecer essas jovens lutadoras e não se afeiçoar a elas.

Thomas Clarke é um advogado que tem a sombra de um pai que é um poderoso juíz, um homem sério e importante, que chegou num dos pontos mais altos que a carreira pode levar, e espera o mesmo do filho. Mas Thomas ainda não tem certeza do que ele realmente deseja, e sua viagem à Índia, inaugurará um novo episódio na sua vida.

Outro ponto que vem corroborar a qualidade desse livro foi à pesquisa realizada pelo autor, muito do que vemos narrado aqui ele pode presenciar na viagem que ele fez as zonas de tráfico da grande Mumbai.

Tenho que admitir que poucas vezes uma obra foi capaz de suscitar sentimentos tão intensos como ódio, revolta, ultraje, entre outros,  quanto os que eu senti na leitura desse livro, a trama vai além do envolvente, a relação que o leitor tem com os personagens é das mais íntimas, uma obra excelente.

Uma história que se passa em 3 continentes diferentes, personagens envolventes e cativantes, uma narrativa detalhada, cuidadosa e um tema que suscita atenção, fazem de “Cruzando o Caminho do Sol” uma obra imperdível. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Para Sempre (Kim e Krickitt Carpenter)

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Livro: Para Sempre
Autor: Kim e Krickitt Carpenter
Nº de páginas: 144
Editora: Novo Conceito
Série/Saga: -
Nota: 4/5








Gosto de livros que retratam uma história real acredito que isso dá uma entonação mais interessante a obra.

A relação entre Kim e Krickitt começou de forma diferente, os dois se conheceram por telefone, ela uma atendente e ele um treinador interessado em comprar uniformes. Até que as coisas ficarem mais pessoais, e os dois passaram a conversar por telefone, após 2 meses se conhecendo em conversas que duravam horas, Krickitt, depois de pensar bastante, resolve ir visitar Kim.

Após esse primeiro encontro alguns outros se seguiram, e o noivado seguido pelo casamento foram acontecimentos ocorreram rapidamente, eles estavam apaixonados.

Mas tudo isso estava prestes a mudar, após 2 semanas de casados, em uma viagem para a casa da família de Krickitt, os dois sofrem um grave acidente, e apenas por um milagre saíram vivos dessa tragédia. Kim teve sérios danos, Krickitt além dos danos físicos teve um incisivo choque na cabeça, que culminou em uma amnésia sobre os acontecimentos dos últimos temos, em especial, seu casamento, e o fato de ter um marido, ela sequer se lembrava de quem era Kim.

É a partir desse ponto que a história tem seu desenrolar, os terríveis acontecimentos caem como uma bomba sobre os recém-casados, Kim passou momentos de grande sofrimento enquanto via os médicos praticamente desacreditados de sua mulher, e após ela finalmente sobreviver, ele se vê diante de um desafio dos mais complexos, reconquistar sua mulher, mas os acontecimentos mostrarão que essa será uma tarefa extremamente delicada.

O trauma que se abateu sobre Kricktt teve consequências profundas, sua relação com o marido, passa a ser algo totalmente diferente do que se espera de marido e mulher, ele se vê diante de uma pessoa diferente da que ele antes conhecera, ela não se lembra mais dele, e em alguns momentos tem atitudes de adversidade para com ele.

Mas mesmo diante de várias negativas, Kim mesmo abatido pelo momento que se coloca diante de si, e todas as consequências, ele não desiste de sua esposa, e faz de tudo para poder reconquista sua mulher.

A história é narrada por Kim, é agoniante ver seu sofrimento e sua perseverança, ele conta de forma delicada o decorrer dos acontecimentos que precedem e que procedem ao acidente, ele tem uma dedicação invejável a sua esposa.

“Essa história não é sobre mim, e também não é sobre Krickitt. É sobre a fé, e como ela nos guiou desde uma época terrível até a uma vida que é melhor do que jamais poderíamos ter imaginado.”


Para Sempre é um livro que conta uma história real, e com certeza interessante, o apelo religioso é algo presente desde o começo do livro. Também é possível encontrar características de obras de autoajuda no livro, nada que tire a característica romântico dramática da obra.

O livro tem uma quantidade mais reduzida de diálogos, então estamos sempre vendo as narrações de Kim durante o decorrer da trama, esse ponto não me incomodou, acho que é algo que se presta para uma obra desse tipo.

Para Sempre é um livro que tem uma história delicada, bem contada, e que pode emocionar muitos leitores. Vale a pena conhecer.

O livro também rendeu uma adaptação cinematográfica. Confira o trailer:




                   


segunda-feira, 26 de março de 2012

Um Mundo Brilhante (T. Greenwood)

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Livro: Um Mundo Brilhante
Autor: T. Greenwood
Nº de páginas: 336
Editora: Novo Conceito
Série/Saga:  -
Nota: 4/5








Esse é um livro que chama a atenção pela capa e por uma sinopse intrigante, mas eu ainda não sabia o que realmente esperar da trama, contudo a autora arquitetou uma história indubitavelmente interessante.

Tudo começa quando o professor Ben Bailey e sua noiva, Sara, em uma manhã após o halloween, encontram um jovem deitado na neve em um estado deplorável, ele estava fisicamente comprometido.

O acontecimento mexe com o professor e ele acaba indo ao hospital para saber um pouco mais sobre o jovem, chegando lá ele conhece a irmã do rapaz, Shadi, e após constatar que o rapaz não tinha chance de sobreviver, e chegar à conclusão que o jovem foi vítima de violência ele decide descobrir quem fez aquilo com o rapaz.

Mas a vítima era um índio navajo, e ninguém estava interessado em o que aconteceu com ele, mas, Ben, juntamente com Shadi, decidiu desvendar a verdade.

A proximidade com Shadi, a busca por resposta, leva Ben a uma jornada que marcará sua vida, e ele começa a se questionar sobre o seu noivado, que há muito tempo perdera o seu encanto, sua vida e sua profissão. E a relação com Shadi começa a ficar mais íntima.

Ben é o tipo de personagem problema, indeciso, infeliz no emprego e no amor, e em busca de algo que lhe traga felicidade, o tipo que pode tanto fazer com que o leitor se afeiçoe por ele ou o odeie.

A trama gira em torno de Ben, seus questionamentos, suas decisões, e em especial, suas ações quase sempre conturbadas, mas com o decorrer do tempo ele vê sua vida tomando rumos diferentes.

O crime fica em segundo plano, então não espere encontrar um suspense acerca do assassinato, na verdade descobri a identidade do assassino é bem fácil.

Os capítulos curtos fazem a leitura se tornar mais ágil, e embalada por flashes back dão um toque todo especial a narrativa.

T. Greenwood não criou uma trama cheia de ação ou surpresas, nada impressionante, ela criou um relato do cotidiano, leve, atraente, sobre a vida, a família, decisões, e com uma narrativa que cativa o leitor.

O final pode desagradar alguns leitores, a meu ver a autora finalizou a obra com um desfecho adequado, e justo. 



               


terça-feira, 20 de março de 2012

O Preço de Uma Lição (Frederico Devito e Rogério Mendonça)

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Livro: O Preço de Uma Lição
Autor: Frederico Devito e Rogério Mendonça
Nº de páginas: 336
Editora: Novo Conceito
Série/Saga:  -
Nota: 2/5









Eu sempre achei difícil falar sobre livros que são surpreendentes, que gostamos muito da leitura, mas é tão difícil quanto, senão mais, falar sobre um livro o qual a leitura não foi positiva. 



A trama gira em torno de um garoto, que não tem nome, portanto, vamos nos referir a ele como “personagem”, logo de início vemos ele na escola e a criação de uma amizade, um quarteto entre ele, um rapaz e duas garotas, que se tornam grandes amigos, o quarteto 21.

Durante o decorrer da história vemos a relação entre esses personagens desenvolvendo, e os caminhos que cada um vai tomando.

Acompanharemos toda a trajetória do personagem, cada detalhe de sua vida amorosa e profissional, sua família fica na periferia dos acontecimentos.

Cada relação é detalhadamente contada e vemos os sucessos e insucessos amorosos de nosso “personagem”, ele é detentor de uma “atração fatal”.

Ainda temos uma personagem feminina que é amplamente abordada, na verdade ela é a apoteose de nosso “personagem”, Juliana.

O livro gira em torno disso, não vemos nada de surpreendente sendo desenvolvido, o personagem é contraditório e irritante em alguns momentos.

Os personagens são construídos de forma um tanto quanto artificial, a perfeição é algo em voga nesse livro.

Durante minha vida inteira, fui a pessoa com quem todos vinham

conversar, pedir opiniões. Eu fazia teatro, sempre era o personagem mais 

marcante e lembrado. Escrevi uma redação em meia hora, e meu coordenador
fez questão de abrir uma exceção a encaixa-la no projeto, redação
que foi aplaudida.

O livro conta com 366 páginas, a trama acaba ficando enrolada e a leitura cansativa, as vezes forçada, talvez se o livro tivesse um número menos de páginas poderia ter sido uma leitura mais agradável.

A narrativa é talvez o ponto positivo do livro, mas em alguns momentos peca nas repetições.

O final foi melhor do que eu esperava, digamos que os acontecimentos nos levam a crer em um determinado desfecho, que felizmente não ocorre. 

A trama é permeada por um romance exagerado, amor a primeira vista não é um problema aqui, e vemos diálogos cheios de sentimentalismo, fatores que foram decisivos para minha negativa em relação ao livro.

Personagens sem grandes atrativos, uma trama clichê, sem novidades fazem de "O Preço de uma Lição" uma leitura nem tão interessante.

Contudo o que melhor que tirar nossas próprias conclusões, para tal em breve vocês poderão concorrer ao kit de O Preço de Uma Lição, aguardem.