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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Esconda-se (Lisa Gardner)

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Autor: Lisa Gardner
Nº de páginas: 400
Editora: Novo Conceito
Série/Saga: D. D. Warren
Nota: 4/5










“Os corpos eram pequenos. Estavam nus. Eram femininos. Crianças, simples crianças, encolhidas dentro de sacos de lixo claros dos quais jamais escapariam.” p. 30
Lisa Gardner já mostrou sua competência na construção de intricadas tramas policiais. Isso foi demonstrado em Viva para contar e Sangue na neve. Em Esconda-se não foi diferente.

Annabelle Granger cresceu fugindo. Desde seus 7 anos de idade ela e seus país começaram uma inexplicável fuga de um fantasma que ela não conseguiu desvendar. Vivendo em diversas cidades sobre diferentes identidades. Durante esse tempo a jovem, e depois mulher, foi treinada para desconfiar de tudo e de todos, e treinada para reagir em situações de ataque. Annabelle se preparou a vida toda para enfrentar um medo obscuro. Agora, 25 anos depois de uma trajetória de fuga desesperada, com pai e mãe mortos, Annabelle Granger vê uma notícia no jornal. Ela está morta.

A Detetive D. D. Warren, Sargento do Departamento de Policia de Boston, se encontra em uma cena de crime aterradora. Num antigo sanatório desativado em uma câmara subterrânea foram encontrados 6 corpos de meninas. Todos submetidos à técnica de mumificação molhada, na qual os corpos se preservam em sacos plásticos nos seus próprios fluidos. Entre as vitimas, uma carrega um pingente, o nome inscrito é Annabelle Granger.

D. D. convoca um amigo, o agente Booby Dodge, da polícia estadual. Dodge esteve envolvido durante os anos 1980 com Umbrio, um assassino que tinha um modus operandi parecido com o caso recém descoberto pela polícia. Mas o caso não parece fácil. Perguntas sem resposta se avolumam. Qual a relação dos corpor recém descobertos com Umbrio? Como o nome de Annabelle Granger foi aparecer em um dos corpos? E, mais importante, qual a relação de Annabelle Granger com o caso?

A escassez de respostas leva a polícia a atirar para todos os lados. Investigação no estilo metralhadora. Annabelle é trazida para o caso. Os propósitos de fuga do seu pai começam a ser questionados. É preciso descobrir do que o pai de Annabelle fugiu durante todo esse tempo.

Esse é o cenário de Esconda-se. D. D. está implacável para solucionar o mistério. Está disposta a colocar em questão cada informação que tiver disponível. Um labirinto difícil de ser desvendado se colocado diante da sargento.

Existe a idéia de que romances policiais podem ser lançados de forma independente. Em alguns casos realmente não há um comprometimento muito grande. Mas no caso desse livro me incomodei um pouco com o retrocesso comportamental da D. D.. Na seqüência de lançamentos nacionais, o penúltimo livro lançado foi Sangue na Neve, o 4º da série.  Ali D. D. tinha evoluído há um estágio que notei retrocedido em Esconda-se, 2º livro da série. Nada que comprometa do mistério.

Em Esconda-se Lisa Gardner traz sua fórmula de personagens femininas fortes, a seu modo vulneráveis, e confrontadas por mistérios e perigos. Uma detetive competente, decidida, acompanhada de um elenco notável. Vale a pena conhecer esse e outros trabalhos da autora.





terça-feira, 8 de outubro de 2013

Novidades - Esconda-se (Lisa Gardner)

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A Novo Conceito lança em outubro o livro Esconda-se, da Lisa Gardner. Este livro é o segundo da série protagonizada pela detetive D. D. Warren, que também da nome a série. A editora tem lançado no Brasil dois livros da autora Viva para contar e Sangue na neve, que são os volumes 4 e 5, respectivamente.




Em 2011 o livro foi adaptado pela TNT, que teve Carla Gugino interpretando a detetive D. D. Warren. Confira a seguir o trailer da adaptação: 

                         


Lisa Gardner é uma das representantes mais capazes do romance policial, sua tramas são bem encadeadas, detentoras de um planejamento cuidadoso e desafiam o leitor mais experiente. Uma autora que precisa ser conhecida, definitivamente.


"De primeira linha .... Um passeio de roer as unhas até o clímax emocionante ". Publishers Weekly
"Uma intensa história de suspense ..." Chicago Tribune 


Uma mulher que foi obrigada a fugir — desde criança— de uma possível ameaça. Uma ameaça que seu pai via em todo lugar, mas que a polícia nunca considerou. Um antigo e desativado sanatório para doentes mentais que pode ter muito mais a esconder entre suas paredes do que homens e mulheres entorpecidos por remédios. Uma história de rancor entre membros de uma mesma família que nunca conseguiram superar os episódios de violência doméstica que presenciaram. Um pingente que foi parar em mãos erradas — e a cena de um crime brutal: seis meninas mortas e mumificadas há mais de trinta anos. Agora, cabe à famosa detetive D.D. Warren descobrir quem foi o serial killer que cometeu esta atrocidade e que motivação infame deformou sua mente. Acompanhe D.D. Warren na solução de mais este complexo caso e encontre o inimaginável que está por trás de pessoas aparentemente comuns!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Sangue na Neve (Lisa Gardner)

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Livro: Sangue na Neve
Autor: Lisa Gardner
Nº de páginas: 416
Editora: Novo Conceito
Série/Saga: D. D. Warren #5
Nota: 4/5









Várias características são relevantes para que um livro se constitua em um bom romance policial. Mas as camadas são essenciais. É supérfluo dizer, mas romances policiais envolvem mistérios, e, portanto, a forma como isso é trabalhado pelo autor se torna questão elementar. Nesse contexto, reside o papel superlativo das camadas. Elas geralmente são representadas de duas formas, ou o autor preserva o derradeiro suspense apenas para os instantes finais, ou com o decorrer da história ele vai liberando informações em “conta-gotas” permitindo ao leitor construir sua própria solução para o mistério. Enfim, camadas são importantes. Toda essa história sobre camadas se faz necessária, pois em Sangue na Neve temos muitas camadas, e até que a última seja finalmente revelada, muitas suposições podem ser conjecturadas.  Vamos ao livro.

A policial estadual Tessa Leoni assassinou o marido, Brian Darby, com três tiros no peito. Mas, ao que tudo indica, a policial agiu em legítima defesa. E para dar suporte a essa suposição o rosto desfigurado parece ser uma boa evidência do que ocorreu. Até esse ponto, o caso parece ser apenas mais uma ocorrência de violência doméstica que termina de forma trágica.

O que ocorre, contudo, é que Sophie Leoni, a filha da policial, está desaparecida, não há qualquer indício da menina de 6 anos, e a mãe não tem condições de prestar informações úteis sobre o paradeiro da filha.

D.D. Warren, a detetive responsável pelo caso, logo entreve um cenário muito mais complexo que o suposto assassinato do marido pela esposa agredida. Definitivamente, existe algo mais por trás dessa história. E o desaparecimento de Sophie é condição suficiente para despertar o alarme de D. D. Ela está disposta a descobrir o que exatamente ocorreu, e acima de tudo encontrar Sophie, viva ou morta.

As investigações levam a caminhos cada vez mais tortuosos, a ideia de que Brian seja um agressor é descartada por todas as pessoas que são próximas a ele, e a condição da Tessa, bem como a impressão de que ela esconde mais do que revela deixam D. D. cada vez mais intrigada.

Está formado o corpo do suspense, resta a Gardner desenvolvê-lo. E acredite, ela sabe como fazer isso. Tece suas camadas com cuidado.

Logo que iniciamos o livro, Gardner trabalha intensamente em seu suspense. Os personagens estão lá, são importantes, mas o suspense ganha contornos cada vez mais intensos. Assim, a cada rodada Gardner desvela uma camada, e é possível entrever um pouco mais do que está ocorrendo, e em seguida novamente outra camada é revelada, e ai caminhos mais obscuros vão se colocando. E isso ocorre de forma natural, à autora não força, ela tem uma capacidade melindrosa de trabalhar com os mistérios, é preciso ter paciência, cuidado, e, acima de tudo, atenção.

Apesar da centralidade do suspense, os personagens não são negligenciados. D. D. é determinada, seu perfil agressivo e direto chega a impressionar. E mesmo com toda essa força, ela é uma mulher frágil, tem seus medos, sabe que apesar de tudo a vida é um mistério que ela não conseguiu desvendar, e talvez nunca consiga. Nesse aspecto, ela é também uma vítima. Já Tessa Leoni é brilhante, é uma mulher que fez a si mesma, vive acima de tudo pela filha, tornou-se mais forte por ela. E está acima de tudo disposta a chegar às últimas consequências por Sophie. É inacreditável o que uma mãe é capaz de realizar.

Assim, o circo está montado: um mistério em várias camadas, personagens bem construídos e uma narrativa atraente – que alterna entre primeira e terceira pessoa. Lisa Gardner mostrou-se muito competente em Viva para contar – seu primeiro livro lançado no Brasil – e em Sangue na neve ela simplesmente cristalizou sua inegável capacidade de arquitetar bons romances policiais. 


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Viva Para Contar (Lisa Gardner)

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Livro: Viva Para Contar
Autor: Lisa Gardner
Nº de páginas: 480
Editora: Novo Conceito
Série/Saga: D.D. Warren #4
Nota: 5/5








Sabe aquele livro que já inicia inebriante, onde o leitor se vê lançado em uma história envolvente com a promessa de uma leitura intensa. Eu diria que em muitos casos nos poderíamos nos decepcionar, inícios ótimos para desenvolvimentos nem tão interessantes, mas posso dizer que felizmente esse não foi o caso de “Viva Para Contar”, o livro têm um inicio mais que interessante e a autora conseguiu manter o ritmo até a última página.

Esse livro é marcado pela forte presença de mulheres, logo no início conhecemos as 3 narradoras, a tenente D. D. Warren, a enfermeira Danielle Burton e a dona de casa Victoria Oliver.

A tenente da polícia de Boston, D. D. Warren, é um mulher de 38 anos, independente, bonita e excelente no seu ofício. Durante um jantar no qual ela esperava um desfecho em seu apartamento ela é interrompida pelo seu bype, o chamado se refere a um acidente desolador, quatro integrantes de uma família foram brutalmente assassinados, o pai e principal suspeito do crime está na UTI com uma bala alojada na cabeça.

A enfermeira psiquiatra, Danielle Burton, teve uma infância conturbada, aos 9 anos de idade seu pai assassinou toda a sua família, deixando apenas ela viva. Mesmo depois de 25 anos desse trágico acontecimento ela nunca se conformou em ser a “sobrevivente”, mas apesar dos percalços ela conseguiu criar uma carreira de respeito no hospital psiquiátrico infantil onde trabalha.

Victoria Burton já foi uma mulher deslumbrante, com uma profissão, marido e uma vida normal. Mas essa vida é um sonho que ela já não tem há muitos anos, ela dedica seu tempo integralmente a cuidar de seu filho, e de certa forma de si mesma, afinal ela tem que a todo momento impedir que seu filho, Evan, de 8 anos a assassine.

- Eu amo você, desde aqui até a lua e às estrelas, e todo o caminho de volta – murmura ele, uma frase retirada do nosso livro favorito. 
Acaricio o rosto dele. – Eu também amo você. 
- Não quero machuca-la – diz ele, quase como em um sonho, quase adormecendo. Seus olhos se abrem. – Mas eu quero.

Três histórias aparentemente sem nenhuma ligação, mas que com o decorrer dos acontecimentos vão se entrelaçando de maneira imprevisível.

Lisa Gardner trata de um assunto delicado, crianças psicóticas, e ela o faz de forma brilhante, ela aborda a questão de diferentes ângulos, pelo lado profissional, familiar e mesmo pela perspectiva de pessoas que não vivenciam essa situação.

Patsy fez uma pausa e depois continuou. – Garotos normais não sorriem daquele jeito, sargento. Garotos normais não lambem as mãos ensanguentadas.

Lisa criou uma trama coesa com um ritmo eletrizante, esse é aquele tipo de policial onde ao final de cada capítulo o leitor é impelido a leitura do próximo de forma que quando se dá conta à leitura fluiu com rapidez.

O ritmo é endossado pela narrativa, D. D., Danielle e Victoria se alternam entre os capítulos, narrativa que torna a leitura ainda mais interessante.

A capacidade da autora em manter o ritmo durante toda a obra faz de “Viva Para Contar” um ótimo representante do gênero policial.

Os personagens são um detalhe a parte foram muito bem arquitetados e são imbuídos de personalidades marcantes. D. D. é uma ótima na sua profissão, uma mulher forte, decidida, independente, mas que não é imune as cenas dos crimes bem como a relacionamentos, o que o torna mais humana. Danielle é uma mulher perturbada pelo seu passado obscuro, ela nunca entendeu porque seu pai nunca a matou. Victoria é uma mulher com um desafio grandioso, ela é uma mãe dedicada, que decidiu se abster dos prazeres da vida para cuidar de um filho com problemas psicológicos sem orientação profissional. 

“Viva Para Contar” tem momentos marcantes, os assassinatos são perpetrados de forma fria, não a discernimento entre crianças e adultos. O livro ainda tem momentos sombrios.

Esse livro é o quarto livro de uma série, contudo é perfeitamente possível compreender a trama sem a leitura dos demais livros, que não foram lançados no Brasil. 

Contudo sempre que leio um livro fora da ordem fico com a sensação de que falta algo sobre algum personagem, nesse caso foi com a D. D., gostaria de ter mais informações sobre ela.

Esse não é um livro indicado para leitores que não conseguem conviver com sangue e cenas que demandam um estômago mais forte. Mas se você aprecia um bom romance policial encontrará em "Viva Para Contar" uma excelente leitura.

Um dos melhores livros do gênero policial que li esse ano, suspense, mistério, assassinatos frios, um cenário mais que fértil, fazem desse livro um ótimo triller policial.

Só posso dizer estou ansioso pelo lançamento da próxima obra da Lisa Gardner. Leitura mais que indicada.